Informativos e Classificados

Simbrasil Leiteiro em Destaque na Balde Branco

SIMBRASIL INVESTE NA DUPLA APTIDÃO


Formada a partir de cruzamentos de Simental com raças zebuínas, a Simbrasil vem apurando linhagens de dupla aptidão, com potencial leiteiro, e ganhando espaço entre os criadores daqui e de fora.


Carlos Eduardo da Silveira, o Dudu Silveira, de Botucatu-SP, é um dos criadores que apostou na dupla aptidão da raça Simbrasil. Tem um rebanho de 160 animais, na Fazenda Santa Rita, que seleciona para a produção de leite e carne desde 1987 , quando pinçou no plantel cruzado de Simental da família e em outras 50 fazendas do País vacas comprovadamente mais leiteiras.

Hoje, seus principais compradores são os produtores de leite que utilizam rebanhos cruzados e que exploram a atividade a campo e os criadores do Panamá, México, Costa Rica, Guatemala e Colômbia. Somente este ano, ele exportou para o Panamá mais de 200 embriões das suas principais matrizes. Segundo Dudu, os negócios com esses países vêm crescendo. No mês passado recebeu uma comitiva de criadores panamenhos, apresentou seu rebanho e novos negócios foram fechados.

“O nosso Simbrasil de dupla aptidão se encaixa muito bem na realidade da pecuária deles”, reforça o veterinário Carlos Fernando Marins, responsável pela coleta aqui no Brasil e pela transferência dos embriões lá no Panamá. “Compramos e reproduzimos a melhor genética das raças européias e zebuínas. E o mais importante é que adaptamos esses rebanhos as condições tropicais. O que nos atrapalha é a falta de protocolos sanitários com países interessados em nossa genética bovina”, alerta Dudu Silveira.

Silveira: linhagem leiteira, antes descartada, agora valorizada.

O Simbrasil é uma das raças sintéticas brasileiras, selecionada desde a década de 50. Os primeiros animais puros já com grau de sangue fixado em 5/8 Simental e 3/8 Zebu foram registrados no livro da Associação Brasileira de Criadores de Simental, em 1976. Dudu começou a formação de seu plantel de dupla aptidão em 1987, quando passou a cuidar do gado da família na Fazenda Santa Rita, São Manuel-SP. De olho em um novo mercado, ele selecionou o que vinha sendo criado por seu pai, Zé Eduardo da Silveira, vacas cruzadas de Simental com Gir que produziam mais leite.

Ao mesmo tempo, como um bom negociante de gado, Dudu vinha assessorando vários criadores que estavam formando rebanhos da raça Simbrasil. Conta que comprou para estes mais de mil matrizes. Para encontrar tal número de animais, visitou aproximadamente 50 fazendas que criavam a raça. “Notei que muitos criadores refugavam as vacas mais leiteiras, por acharem que no rebanho de corte elas eram problemáticas, pois tinham necessidade de esgota e complicavam o manejo. Estas vacas eu comprava e levava para a Santa Rita”.

Cruzadas a partir de boas Matrizes


Lotes de novilhas cruzadas, Simbrasil com Gir leiteiro.



Com um bom número de matrizes que produziam acima de 12 litros de leite a pasto, ele começou a identificar os touros que tinham sêmem no mercado e que produziam filhas com boa produção de leite. E usou esses touros nos acasalamentos, obtendo bons resultados, dando origem à formação de cinco famílias com perfil genético diferente, e que já estão na segunda e terceira geração com grau de sangue PS-Puro Sintético.

Nos últimos tempos, comprou lavagens e aspirações de algumas das vacas campeãs de produção de leite:

“Vedete da Santa Andréa” - campeã do torneio leiteiro da Festa do Leite de Batatais 2005, com 43 Kg/leite/dia.

"Aida da Santa Andréa” - campeã de produção de leite em 2005 e bicampeã da Expomilk 2004 e 2005, com produção de 55 Kg/leite/dia.

“Vivi da Arroio” - recordista nacional no controle leiteiro oficial, com produção acima de 10.200 Kg de leite em lactação de 305 dias.

Essas matrizes foram acasaladas com “Du Defensor” touro 1/4 de sangue Simental e 3/4 de sangue Gir, filho de “Benfeitor Raposo da Cal”, único touro a liderar o ranking da Embrapa/ABCGIL por 4 anos consecutivos e tri-campeão progênie de pai na Expozebu, com “Mucamba FL”, uma vaca 1/2 sangue, filha de matriz gir leiteiro e touro alemão. Com pelagem vermelha tapada, pesa mais de 650 Kg, produzindo a média de 20 Kg/leite/dia. Destes acasalamentos, nasceram animais com grau de sangue fixado nos 5/8 Simental e 3/8 Gir, último estágio para se chegar ao puro Simbrasil.

Em Minas Gerais, na Fazenda Ingá, tradicional na produção de Simental e Guzerá Leiteiro, Dudu buscou a vaca 1/2 sangue Simental/Guzerá Leiteiro, “Remendeira do Ingá”, de 13 anos de idade, 10 crias e produção de mais de 20 litros de leite/dia. Esta vaca foi acasalada com o touro Guzerá Leiteiro “Abacate”, filho de “Aladim S”, touro expoente na raça Guzerá, top 0,1% para índice de qualificação genética. Este acasalamento produziu o touro “Du Indiano” – 1/4 Simental e 3/4 Guzerá Leiteiro, que aos 14 meses já estava produzindo sêmem.

Acasalado com a vaca Simental “Amilka do Lançoni”, com sangue do Simental brasileiro, ótima produção leiteira e DEPs positivas para todas as categorias analisadas pelo Programa de Melhoramento Genético da Associação Brasileira da Raça Simental, “Du Indiano” produziu mais animais 5/8 Simental e 3/8 Guzerá Leiteiro, abrindo uma linhagem rústica e produtiva.

Valorização dos tourinhos pela genética ou pela pelagem.



Em busca de novas linhagens


Como raça sintética a seleção exige a constante formação de novas bases genéticas para os cruzamentos em busca da fixação do grau de sangue exigido pelo padrão oficial da raça. Dudu Silveira aproveita esta necessidade para abrir novas linhagens no plantel. Uma nova base foi o acasalamento da vaca Simental Montbeliarde, “Vogue do Canário”, reservada campeã torneio leiteiro da Expomilk 2005, com produção média diária de 54,818 Kg e 10,900 Kg em lactação de 305 dias – com o touro “Efalc Paraíso Caju” – filho de “Caju”, um dos formadoras de linhagem de Gir Leiteiro no Brasil.

Na outra mão, cruzou a vaca gir “Lianca dos Poções” – filha de “Radar dos Poções”, touro número 1 do sumário de touros da ABCZ 2008 com PTAL 695,5 – com o touro Simental “Mosmont”, melhorador da genética alemã, aumentando em 600 Kg a lactação de suas filhas e positivo para a produção de carne. No Brasil seu filho, “Brasil da Xapetuba”, foi o campeão de ganho de peso na prova do Centro de Avaliação de Touros de 2002.

E nos próximos meses ele inicia a formação de uma nova linhagem, desta vez, utilizando como base matrizes da raça zebuína, Sindi com touros Simental provados para dupla aptidão. “Vejo nesta raça Zebuína de dupla aptidão uma excelente opção genética para a formação de base para o Simental leiteiro. O Sindi tem boa produção de leite e carne, e muita rusticidade, produzindo muito bem na dureza do sertão nordestino”, analisa Dudu Silveira.

Após os mais de 20 anos de seleção, Dudu Silveira projeta agora novos objetivos para seu rebanho. A produção das vacas deve variar entre 10 a 20 Kg de leite por dia em regime de pasto e produzir carne, atingindo entre 500 a 700 Kg de peso vivo. Desmamar bezerros entre o sétimo e o oitavo mês pesando em média 250 Kg. E se o desmame for prorrogado até os 10 meses, para aproveitar um maior período de lactação, esses bezerros devem atingir 300 Kg.

As Novilhas devem estar aptas para a reprodução a partir dos 15 meses e devem produzir em média um bezerro por ano a serem produtivas até os 12 anos de idade. No descarte, devem pesar em torno de 20 arrobas, rendendo mais do que um boi no abate. Já os machos devem estar prontos para o abate entre 28 e 30 meses de idade, pesando acima de 16 arrobas. Seu rebanho é avaliado dentro do Programa de Melhoramento Genético da Associação Brasileira das Raças Simental e Simbrasil, através do desempenho individual, da progênie e da matriz de parentesco.

Opção de bons indicadores


“Estou selecionando animais de dupla aptidão. Portanto eles tem de apresentar índices melhoradores para a produção de leite e carne ao mesmo tempo”, diz Dudu, mostrando como exemplo os números do sumário 2009, em que seu touro “Du Gold” entrou com índice positivo para produção de leite e ganho de peso, mesmo sendo filho da vaca Simental “Aida da Santa Andréa”, duas vezes campeã no torneio leiteiro da Feileite, com produção de mais de 55 Kg de leite/dia.

Além desta avaliação de desempenho, Dudu conta que envia os irmãos inteiros dos touros para servirem em plantéis de outros criadores. “Dessa forma posso avaliar a produção dos touros com a mesma genética dos produtos que coletei e estou vendo e exportando sêmem, garante.

Atualmente, seis touros de seu criatório foram coletados e estão com sêmem no mercado, inclusive com sexagem. Todos são indicados para uso em vacas Simbrasil puras ou para cruzamentos visando à formação da raça.


Ele garante que em rebanhos Girolando, o Simbrasil de dupla aptidão promove um ótimo ganho na produtividade e lucratividade do produtor de leite. “As novilhas deste cruzamento mantêm a produção de leite, e os machos passam a ter um maior valor comercial. O criador continua se beneficiando das vantagens da heterose, sem mudar a relação do grau de sangue europeu/zebu, fator que garante rusticidade e lucratividade ao rebanho”, relata.

Os embriões do Simbrasil de dupla aptidão, segundo Dudu, alcançam preço de R$ 500,00 a R$ 800,00, com garantia de 40% de prenhez.
Atualmente, ele coloca cerca de 30 tourinhos no mercado, seus compradores são produtores de leite que têm rebanho Girolando, cruzados e de gado leiteiro caipira. A média de preço dos animais vendidos neste ano está em R$ 5.000,00. E o preço dos sêmem dos touros começam com R$ 20,00 e vão até R$ 70,00 a dose para o não sexado. Já o sêmem sexado custa R$ 250,00 por dose.

As novilhas na faixa de idade de 12 a 18 meses, ele tem comercializado a R$ 3.500,00.
Recentemente, algumas delas foram vendidas para o criador de Simbrasil, de gado leiteiro e de corte, João Marcelino Ramos, do Vale do Paraíba, em São Paulo. Ele cria Simbrasil puro para corte, também utiliza no cruzamento industrial com Nelore, produzindo leite com um rebanho de vacas Girolandas. Já vinha utilizando touros Simbrasil de linhagens leiteiras no cruzamento com as Girolandas, agora vai produzir leite com vacas Simbrasil.

Boa demanda no Panamá


Criadores panamenhos adotam a raça em razão da dupla aptidão.



O brasileiro Paulo Barcellos é o presidente da Associação de Criadores de Simental e Simbrah do Panamá, que conta com 40 criadores associados. Com origem capixaba, está radicado lá desde 1980. Segundo ele, o gado Simental é o que melhor se encaixa na pecuária panamenha. O Brahman é a base do rebanho bovino do País, estimado em 2 milhões de cabeças. A raça Simental e seus cruzados, incluindo o Simbrah (americano) e o Simbrasil, tem o segundo maior rebanho, que Barcellos avalia em cerca de 800 mil animais.

O tamanho médio das propriedades daquele país é de 200 hectares e a pecuária está implantada nas regiões de terras com topografia ondulada.

Barcellos avalia que 50% do rebanho panamenho são explorados para produção de carne e leite. E a produção média das vacas ordenhadas é de 4 litros de leite/vaca/dia. O país não é autossuficiente na produção de leite, importando cerca da metade dos produtos lácteos que consome. O Governo tem programas de incentivo pra aumentar a produção de leite com recursos disponíveis a juros de 2 % ao ano e até 15 anos de prazo para pagamento.

A moeda oficial do Panamá é o dólar, e os produtores de leite recebem de US$ 0,28 a US$ 0,53 por litro, dependendo da época do ano (são duas estações definidas: seca e das águas) e da qualidade do leite produzido.

Barcellos diz que os criadores panamenhos têm um grande interesse no Simbrasil, por ser uma raça de dupla aptidão e forjada num país tropical como o Brasil, não tendo nenhuma dificuldade de adaptação. Como a maioria dos criadores produz leite com o gado mantido a pasto e querem aproveitar os bezerros machos para a produção de carne, o Simbrasil deve crescer muito por lá, segundo Barcellos.


Teste nas escolas


Na escola de Taquarivaí-SP, Profº Silveira (dir) alunos e rebanho estudado.



A genética do Simbrasil de dupla aptidão está sendo utilizada no rebanho de duas escolas com cursos voltados para a pecuária. Uma delas é a Escola Técnica Estadual de Taquarivaí-SP.

Em 2006, o criador Dudu Silveira doou sêmem de touros de dupla aptidão para inseminar as vacas Simental e cruzadas do rebanho da escola. O veterinário e professor João Silveira, encarregado do rebanho, diz que as vacas Simbrasil se encaixam no que a escola precisa. As primeiras novilhas que entraram em lactação produziram 12 litros de leite por dia, mantidas a pasto com um “agrado” no cocho.

“Não podemos ter um gado altamente exigente em alimentação e manejo. A escola é pública e tem dificuldades para comprar ração cara, e ainda contamos com situações sazonais de dificuldades de recursos na escola. Por isso, achamos melhor ter um gado menos exigente e com produção mais barata e constante. Podemos manter estes animais com pastagem e com o que sobra da área de agricultura cultivada pela escola. Além do leite temos a produção de carne; isto é excelente para a escola, pois um só rebanho pode praticar as técnicas de condução bovinos para o leite e para o corte”, conta ele.

Recentemente, Dudu Silveira doou sêmem de touros puros e 1/4 Simental e 3/4 de sangue Guzerá para a escola de veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná em Bandeirantes-PR. A escola pesquisa a atividade leiteira com vacas de raça Holandesa preto e branco, e cruzado desta raça com Zebuíno. Segundo o professor Marcelo Alves da Silva, que coordena o projeto, as vacas da escola têm produção que varia entre 15 e 22 litros por dia. Ele conta que vai utilizar o Simbrasil leiteiro no cruzamento com estas vacas. “Nosso objetivo é testar os cruzamentos do Simbrasil. As fêmeas na produção de leite em regime de campo e dos machos no confinamento do projeto de gado de corte da escola”.

Dudu Silveira diz que a utilização de genética do Simbrasil de dupla aptidão por estas escolas é muito importante para o desenvolvimento da raça. Além de podermos dispor de dados técnicos sobre a produção dos animais, ainda estamos divulgando a raça junto aos futuros técnicos e médicos veterinários e à comunidade onde elas estão inseridas.

Maiores informações poderão ser obtidas através de nossos contatos:

(14)9775 - 1184 com Dudu Silveira
e-mail: dusimbrasil@terra.com.br

(14) 9651-4706 com Rodrigo Primo


   
Voltar
2014 - Du Simbrasil Ltda.
Fone/Fax: 14 3882.6181/99775.1184
PLS | websoft